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Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que, entre 1996 e 2006, triplicou o número de brasileiras com a primeira relação sexual até os 15 anos Renata Mariz e Paloma Oliveto Da equipe do Correio Um terço das brasileiras têm a primeira relação sexual até os 15 anos de idade. De 1996 a 2006, esse índice triplicou, de acordo com a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, divulgada ontem pelo Ministério da Saúde. O levantamento mostrou ainda que, com maior acesso a métodos contraceptivos, o número de filhos caiu de 2,5 para 1,8, em média. Mas 45% das mães afirmam que não desejavam a criança no momento em que engravidaram. Queda da mortalidade infantil, aumento de cesáreas, índices de amamentação ainda incipientes e crescimento da obesidade entre as mulheres fazem parte do estudo do governo. Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, há muito o que comemorar, apesar de alguns índices "preocupantes". Um dos que contrariam a recomendação do governo federal é o aumento do número de cesáreas - 36,4% em 1996 para 44% em 2006. "Continuaremos com nossas ações no sentido de incentivar o parto normal", afirma o ministro. Por outro lado, um dado alentador está no crescimento do número de mulheres que fazem consultas pré-natal ao menos seis vezes - média considerada satisfatória pelo ministério -, hoje de 77% das gestantes. Já a amamentação na primeira hora após o parto, outra bandeira da pasta, é feita por 43% das mães, índice que poderia ser melhor. Temporão relaciona a redução no número médio de filhos entre as brasileiras à distribuição gratuita de métodos contraceptivos, que atende hoje 21,3% das mulheres. A quantidade de grávidas adolescentes, com apenas 15 anos de idade, entretanto, praticamente dobrou, passando de 3% para quase 6%. Um reforço nas campanhas educativas para esse público foi mencionado pelo ministro, que citou o projeto de máquinas dispensadoras de PRESERVATIVOS, semelhante às de refrigerante, nas escolas públicas a partir do ano que vem. Descuido Não foi por falta de aviso, porém, que Verônica Souza Ribeiro, 17 anos, moradora de Itapuã, no DF, engravidou quando tinha 16. Mãe de João Victor, 3 meses, ela estava namorando há dois anos, quando veio a notícia: o exame de sangue deu positivo. "Eu achava que não ia acontecer comigo. Os professores falavam sobre CAMISINHA e PÍLULA, mas eu não estava nem aí", confessa. Com a chegada do bebê, a vida de Verônica passou por uma revolução. Ela largou a escola, não pode mais sair com as amigas e aprendeu a ter mais responsabilidades. Lídia Driele da Silva Ribeiro, 18 anos, que engravidou aos 17, conta que sempre tomou anticoncepcional. Porém, começou a passar mal por causa do excesso de hormônios e, num descuido, ficou grávida. "Não usamos CAMISINHA. Eu amo minha filha, mas não quero outro tão cedo. Agora aprendi a lição", garante. Já Francisca Janiely Soares Martins, 18, passou pela experiência duas vezes. Aos 16, engravidou da primeira filha. E, há quatro meses, ganhou o caçulinha. "Em nenhuma das vezes eu pensei que fosse engravidar. Eu estava tomando remédio e resolvi trocar de marca. Na troca, acabei engravidando de novo", diz. O mesmo aconteceu com Gabriela Rodrigues da Silva, 18. "Eu parei de tomar a PÍLULA e não sabia que tinha de usar CAMISINHA durante o mês seguinte. Foi descuido mesmo." O uso inconsistente do método, eventuais falhas e a descontinuidade da distribuição de contraceptivos na rede pública de saúde são apontados por Elza Berquó, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que coordenou o estudo do ministério, como as explicações para a gravidez indesejada, relatada por 43% das mães brasileiras. Dessas, 28% desejavam o filho para mais tarde e 18% não queriam em momento algum da vida. Homens preocupados A vontade de evitar filhos também tem movido homens a usarem métodos contraceptivos. O número de esterilizações direcionadas a eles pouco mais que dobrou em 10 anos, passando de 1,6% para 3,4%. Para o diretor do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, esses dados sinalizam uma importante revolução na implementação dos direitos sexuais e reprodutivos no Brasil. Na contramão dos homens, a esterilização por parte das mulheres diminuiu, de 27,3% para 21,8%. Elas encontraram outras formas de prevenir, além de filhos, doenças sexualmente transmissíveis. Quase 13% exigem o PRESERVATIVO masculino, índice que em 1996 não passava de 5%. Entre 1996 e 2006, a taxa de mortalidade no Brasil caiu de 39 mil nascidos vivos para 22 mil. O ministro Temporão atribuiu a queda significativa - que coloca o Brasil como o segundo país do mundo, entre as 68 nações monitoradas pela Organização Mundial de Saúde, que cumpriram a de reduzir a mortalidade antes do prazo - a um acesso maior aos serviços de saúde e investimentos estruturais. "A atenção às crianças, o Programa Saúde da Família sendo ampliado, oferta de saneamento básico aumentando: tudo isso culmina em indicadores melhores", diz o ministro. A atenção às crianças, o Programa Saúde da Família sendo ampliado, oferta de saneamento básico aumentando: Tudo isso culmina em indicadores melhores José Gomes Temporão, ministro da Saúde Obesidade aumenta, fome é reduzida
Rita Ferreira se preocupa com o sobrepeso, embora garanta que não tem qualquer problema de saúde Quilos a mais que o saudável têm se tornado comum entre as mulheres. O excesso de peso, presente em 34,2% das brasileiras em idade fértil no ano de 1996, hoje atinge 43% - um aumento de 25%. No caso da obesidade, o crescimento é ainda maior: 64%. Mulheres obesas que representavam 9,7% da população feminina 10 anos atrás, hoje são 16%. Em realidade bem oposta, moradores de 4,7% dos domicílios do país passam fome - ou estão em situação de insegurança alimentar grave, no jargão acadêmico utilizado no estudo apresentado pelo Ministério da Saúde. Esse número, medido pela Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad) em 2005, era de 6,1%. "Houve uma melhora no indicador. Mas, mesmo assim, temos um percentual importante no Brasil que passa fome, não podemos negar", alerta a coordenadora do estudo divulgado ontem, Elza Bequó. A Região Norte apresenta o maior número de domicílios onde falta alimentação, 13% do total. A Sul registra o menor indicador, de 2,7%. O levantamento mostra que, quanto maior a escolaridade das mulheres, menor a insegurança alimentar nas residências. "Sabemos que a educação está diretamente ligada à obtenção de renda, ao acesso à informação. Por isso essa relação é tão evidente", explica Reinaldo Guimarães, secretário de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Cintura O cuidado com a silhueta deve ser mais que uma preocupação meramente estética entre as mulheres. A pesquisa mostra que 52,3% da população feminina está com 80 centímetros ou mais de cintura - condição associada a doenças cardiovasculares e diabetes. Os quilos extras ainda não abalaram a saúde de Rita Maria Ferreira, 41 anos, moradora do Paranoá. Ela calcula estar 20kg acima do peso ideal. Mesmo assim, diz que realizou exame de sangue há pouco tempo e que não houve alterações, nem mesmo na taxa de colesterol. Mas conta que gostaria de consultar um nutricionista. "O problema é que é muito caro. E se a gente vai no posto de saúde, fica o dia inteiro, sem conseguir ser atendida." Rita desconfia de que sofre de algum distúrbio hormonal, pois garante que não é de beliscar durante o dia. "Nem gosto de refrigerante e massa", conta. Apesar de dizer que não se importa tanto com o excesso de peso, Rita já fez de tudo para emagrecer. Apelou para dietas mirabolantes, tomou remédios e passou um tempo só à base de shakes dietéticos. "O problema é que, depois, a gente engorda tudo de novo, e em dobro." Sobre medicamentos, ela nem quer mais ouvir falar. "Eu não dormia, foi horrível. Estou pensando em começar a caminhar e me matricular numa academia. Não tem jeito. Para emagrecer, é fechar a boca e caminhar", ensina Rita. (RM e PO)
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Quando minha esposa resolveu viver comigo nós tratamos tudo por celular, em dez minutos. Uma semana depois a casa estava alugada e nós tínhamos nos mudado para ela e estávamos felizes. Mas eu estava muito mal. Vinha de sérios problemas que deflagraram um sem número de transtornos psiquiátricos (eu tinha crises de psicogênese, por exemplo) e foi preciso muito amor por parte dela para suportar com paciência e diligência os meus estouvos. Me deu apoio e suporte, compreensão, perdão, carinho, amor, me protegeu do mundo, que me assolava, e de mim mesmo, que me ameaçava o tempo todo. Lembro-me daquele primeiro ano de convivência como um ano de convalescência. Gosto de pensar em deus tramando coisas. Ele deve ter me dito: “Tu ta enrolado, vou te mandar pra balada sem apoio nenhum, tu só vai se ferrar até o fim da vida pra aprender a ser gente.” E eu vim, cheio de temor. Ai ele disse pra ela. “Na verdade, quem está enrolada é você, porque eu vou fazer vocês se encontrarem quando ele mais precisar, quando não lhe restar mais forças para nada e será você a ajudá-lo a se reerguer, porque para isso eu fiz a Mulher, para apoiar e levantar o homem... Houve um aham na sala, era Gabriel... Bem, eu errei a mão na primeira e na segunda, mas depois acertei a fórmula e esta perfeito. Vou te dar anos de tranqüilidade relativa, mas você vai abusar deles e vai se enrolar mais do que o necessário, mas isoo, mesmo isso, é necessário... Não me faça perguntas. Antes dele e de ti mandei outra, com uma curta missão, mas não menos importante, ele só saberá que ela é conhecida por Fátima, mas não terá certeza disso e por mais que a procure depois, não permitirei que a veja novamente, não nesta vida. A missão dela é encaminha-lo para ti. Ela só dará um empurrão ele, e eu, faremos o resto. Você o amará, pois já amou antes, e ele a amará, porque tem o coração fraco para as mulheres e já te amou algum dia. O que eu quero que saibas é que tudo isso, assim enrolado, tem um Propósito que só sabereis quando voltardes a mim...”
E isso foi tudo. Um encontro marcado, fadado a dar certo. Se hoje eu tenho AIDS. Se hoje eu não ganho nem pro café. Se hoje eu dependo da ajuda de todos para tudo. Se hoje tudo isso me amofina, também é verdade que etes anos, ao lado de minha esposa, eu, que tive mais de 500 mulheres, tem sido os melhores anos de minha vida e eu não os trocaria por nada. Bem amada. Amo-te. Até o fim dos dias. Cau |
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Ainda pela janela eu vejo a mesma casa. Passaram-se quatro minutos da meia noite e as luzes externas estão acesas. Nos varais, apenas uma calça e uma blusa, além de todo o mobiliário. | |||
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Hoje o dia amanheceu lindo:
Há algum nevoeiro na Serra da Cantareira e o ruído dos carros por aqui é muito pequeno. Há pássaros e árvores, só sinto a falta do bem-te-vi... Acho que eles não gostam de dias frios e ficam recolhidos até um pouco mais tarde.
A máquina já está aqui, mas quero acabar meu cigarrinho querido.
Foi se o cigarro e estou como em o silencio dos inocentes... kkkkk Nada como a sensação de ter oxigênio passando pelo seu nariz, de manhazinha, um oxigênio úmido, úmido pela umidade relativa do ar alta desta sala, afinal, tenho um aquário de 200 litros a um canto dela.
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Noite do dia dos namorados.
Na minha juventude eu não tinha tempo para ter namoradas; nem vontade.
Mas eu explico. A vida que eu vivera até os dezoito anos, a infância e a adolescência roubadas me causaram muitos danos emocionais. Durante anos e anos onde a moral e o caráter de uma pessoa se forma naturalmente, com o apoio da família, o conselho do pai, a advertência da mãe eu lutava pela sobrevivência com as armas que eu possuía, e não eram muitas.
Disso resultou uma pessoa que não sabia o que era carinho e afeição pois não tinha recebido estas coisas no momento mais importante da vida.
Cheguei à “idade adulta” desprovido da capacidade de sentir. Ao menos de sentir amor ou alguma coisa semelhante. Eu era uma criatura que descobriu no prazer sexual a válvula de vazão para as dores do passado. Em verdade, eu sei que a cada mulher conquistada e abandonada o que havia era a busca do carinho de minha mãe, que me abandonada sob o jugo de um pai de caráter duro e violento sabe-se lá ao certo porquê.
Então eu não namorava.
Eu seduzia, tomava, saqueava, incendiava e abandonava.
Um bárbaro emocional. Um delinqüente emocional.
Amigos e amigas, eu tinha uns poucos.
Eu sempre fui uma pessoa difícil, que leva tudo a ferro e fogo e não é qualquer um que consegue conviver com meus humores, sempre sujeitos a chuvas e trovoadas.
Mas, enquanto trabalhei no Le Masque como DJ e chefe de 60 mulheres (praticamente todas passaram por mim ao menos uma vez) eu tinha uma amiga chamada Josi, que era recepcionista da casa.
Ela recebia os clientes, encaminhava para as mesas, chamava o garçom da praça (restaurante e boates são dividido em praças e pra cada praça um garçons e cada três praças um cumin), providenciava a acompanhante e voltava par a portaria.
Era muito popular, pois o dinheiro entrava e circulava em todas as direções passando sempre por ela, que dividia tudo fraternamente, mesmo quando a fraternidade parecia-me impossível.
Josi o nome dela, eu já disse, mas convém repetir, pois muito ela fez para melhorar esta criatura que ora vos escreve com esta cara de pau tão peculiar.
Como lá pela meia noite ela não tinha mais o que recepcionar, começava a fazer salão. Um drinque aqui, outro ali, ela não fazia programas, não importando quanto lhe oferecessem, engordava a carteira com a comissão dos drinques que ela malhava nos vasos e carpetes da boate sem muita cerimônia.
Deve se ter percebido que eu observava Josi com grande interesse e este interesse vinha da absoluta impossibilidade de conquistá-la...(...)...
Mas éramos grandes amigos e lá pelas três da manha eu pedia a ela para me ajudar com a iluminação de um show que rolava toda madrugada.
Eu soltaria o show e a iluminação dormindo, mas a presença dela valia esta mácula profissional.
Virginiana, era o paraíso intelectual de um Pisciano.
E ela sempre vinha com a conversa:
“E ai? Já resolveu quem vai ser hoje?”
“Tá difícil, tem três ai que eu to de olho, mas não me defino e vou acabar indo dormir sozinho”
E ela me pedia que identificasse os alvos e dava-me a ficha completa de cada uma, o que as vezes era apenas chover no molhado ou ter uma segunda opinião sobre o que eu já sabia.
Mas ela sempre me ajudava a me definir por uma delas e esta acabava sendo a vítima da noite...
E assim era noite após noite durante anos e só as mais escoladas escaparam de mim e de minha sede de sexo.
Está claro que eu não tinha tempo para namoradas.
Ea Josi trabalhava este aspecto.
“Você nunca pensou em parar com a correria? Dar um tempo, descolar uma destas que você acha gatíssima e tentar fazer vida? Namorar?”
Eu a olhava como se visse um demônio.
“Deus me livre!”
Eu não quero compromisso com ninguém, o único compromisso que eu tive só me ferrou e eu não quero outra Teresa em minha vida!
Estou bem assim, eu levo a vida a vida me leva e não chegamos a parte alguma.
“Se você pensa assim”
Esta conversa se repetia sempre, das mais variadas maneiras mas o final era sempre NÂO.
Ela me apresentou mulheres belíssimas, que teriam me dado o mundo. Levei-as para a cama, como era inevitável e as deixei no dia seguinte para nunca mais voltar.
Faltava algo em mim...
Certa noite, noite de dia dos namorados, eu vi que a maré estava baixa, que não ia rolar aquela noite.
Lá pelas duas da madrugada Josi, que se fizera ausente por toda a noite, nem a bolsa guardara comigo, apareceu com um pacote descomunal:
“Guarda pra mim? Olha? (era o meu bebe) Não é lindo? Ganhei do meu namorado! E você, o que ganhou... Ah, é verdade, você não namora... está sozinho hoje porque todas as que se envolveram com você ou estão magoadas de mais para te dar um cravo ou te odeiam o bastante para te dar uma coroa de flores... Hoje eu não tenho tempo para você, vou ficar com meu namorado. De manha eu pego o meu bebe...”
Meus olhos chispavam. E chispavam porque no meu íntimo eu sabia que estava errado e ela certa, e que aquela noite eu amargaria sozinho.
Mas foi uma noite importante.
Semanas depois eu conheci (isso precisa ser esclarecido) Gabi e vivi com ela pouco mais de três anos. Talvez um dos melhores períodos de minha vida, fora este que vivo agora, pois se porto HIV, se tenho catarata nos dois olhos, se ando de bengala e não sei se vou ter dinheiro para pagar todas as minhas contas amanha ou depois, sei que tenho a minha esposa e não quero outro prêmio na vida. Com todas as dificuldades, estes últimos nove anos têm sido os melhores de minha vida.
Graças a Josi, é claro.
E ela?
Não sei.
Mas dizem que o sujeito que deu um bebê de plástico para ela queria mesmo um de verdade.
Uma noite ela me disse estar grávida. Disse que me amava muito e que jamais esqueceria a criança levada que eu era.
Beijou me o rosto, disse me adeus e nunca mais voltou.
Espero que esteja vivendo, como eu, os melhores dias de sua vida.
Estou tentando voltar, meio que gradativamente. | ||
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