Levantamento lista 11 bairros do Rio em que crianças e adolescente se prostituem
Antônio Werneck
Pelo menos 11 bairros do Rio estão relacionados no mapa da exploração sexual de crianças e adolescentes preparado pela Secretaria municipal de Assistência Social e pela Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente da Câmara dos Vereadores do Rio. Oito deles, como O GLOBO noticiou na sua edição de domingo, são lugares onde traficantes de drogas exploram menores, associados a grupos de aliciadores.
O secretário municipal de Assistência Social, Fernando William, disse que a exploração sexual de crianças e adolescentes por traficantes e aliciadores precisa ser encarada como uma epidemia, um caso de saúde pública como a dengue.
Audiência pública vai discutir assunto na Câmara - Reuni ontem (terça-feira) toda a secretaria e dei um prazo de uma semana para ter um amplo diagnóstico e um plano de intervenção nos casos de exploração sexual. O resultado será levado ao prefeito Eduardo Paes. Mas acredito que precisamos reunir toda a sociedade, o estado e a união nesse combate - afirmou Fernando William.
A vereadora Liliam Sá, presidente da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente da Câmara, informou que recebe denúncias de todo tipo de violência infantil pelo disque-criança: 0800 2829 996. A vereadora, que também presidiu a CPI que apurou denúncias de turismo sexual infantil, recebeu recentemente informações de que há crianças se prostituindo por R$ 1,99 em Nova Sepetiba. Também há casos denunciados nos bairros de Campo Grande, Santa Cruz, Bangu, Engenho de Dentro e na Praça do Méier.
No próximo dia 28 de abril, a comissão da Câmara dos Vereadores realiza uma audiência pública para discutir a exploração sexual infantil com o envolvimento de policiais e funcionários de hotéis e restaurantes.
Sexo por crack
Reportagem publicada segunda-feira no GLOBO mostrou o caso de uma criança de 12 anos que, para manter o vício do crack, era explorada sexualmente por traficantes da Zona Norte. A menina, que seria portadora do vírus da AIDS, era obrigada a fazer programas por R$ 1,99. A história foi contada pelo coordenador do Núcleo de Direitos Humanos da Secretaria municipal de Assistência Social, Marcelo Cunha, que desenhou um quadro dramático sobre esse problema no Rio: segundo ele, a exploração sexual infantil tem crescido por causa do uso do crack.
No dia anterior, O GLOBO mostrou que traficantes exploram uma rede de prostituição em nove bairros do Rio, com o apoio de policiais corruptos.
Há 19 dias outra reportagem revelou o drama de jovens prostrados no chão perto das favelas de Manguinhos e do Jacarezinho, onde ontem houve a operação Choque de Ordem .
Eram crianças e adolescentes dependentes de crack, sujeitos ao efeito devastador da droga. Na ocasião, a Secretaria municipal de Assistência Social anunciou que havia implantado um projeto-piloto nas duas localidades para acolher crianças vítimas da droga num espaço diferente: a Casa Viva, que fica na Zona Norte e serve exclusivamente a dependentes químicos de até 12 anos.